A Associação de Patrulheirismo
do Estado do Rio de Janeiro está encaminhando ao Ministério
de Educação e ao Ministério do Trabalho um
documento que tem como principal objetivo evitar o confronto legal
que vem dificultando a expansão do Programa de Patrulheirismo,
comprovadamente um projeto de grande eficácia quanto à
permanência na escola e à inserção
social de adolescentes de baixa escolaridade, em situação
de maior vulnerabilidade ou risco social e pessoal, oriundos de
famílias de baixa condição sócio-econômica.
Nesta empreitada, José Pinto Monteiro, Presidente da Associação
de Patrulheirismo do Estado do Rio de Janeiro, tem o apoio da
Ordem de Advogados do Brasil (OAB-RJ), da Federação
das Indústrias (FIRJAN), da Câmara de Comércio
Americana (ANCHAM), da Associação Comercial do Rio
de Janeiro, das Primeira e Segunda Varas da Infância e Juventude,
da Câmara dos Vereadores e da Assembléia Legislativa
do Rio de Janeiro (ALERJ), além das 1.200 empresas, que
compõem os convênios com as Unidades de Ensino -
CAMP do estado.
Qual é o principal objetivo do
Programa de estágio operacionalizado pelas Associações
de Patrulheirismo?
Nosso principal objetivo é promover a inserção
social do adolescente menos favorecido através do convívio
e da formação proporcionada através do
estágio, garantindo sempre sua freqüência
escolar. O jovem de comunidades de baixa renda é pressionado
pelos próprios pais a complementar a renda familiar,
o que na maioria das vezes acontece através de um trabalho
informal. Isso contribui para o êxodo escolar e para a
diminuição do índice de escolaridade da
população brasileira. A Unicef aponta doze anos
de escolaridade como parâmetro para afastar o cidadão
da faixa de pobreza. No Brasil, a média de escolaridade
da população economicamente ativa é de
6,3 anos. Quando oferecemos ao jovem menos favorecido uma oportunidade
de educação e estágio, sendo remunerado
através de bolsa-auxílio e apoiado por um programa
de profissionalização e formação
para o exercício da cidadania, procuramos tirá-lo
da perspectiva do trabalho informal ou formal não qualificado.
Desta forma, proporcionamos reais oportunidades de desenvolvimento.
Está provado que as atividades informais afastam o jovem
da disciplina, da consciência do seu papel em um grupo
social e do exercício da cidadania, resultando no seu
desligamento da escola. A realidade é que estes jovens
estarão, na melhor das hipóteses, trabalhando
para ajudar a família. Só que, através
do Programa de Qualificação Profissional, a sua
oportunidade de inserção em uma boa empresa aumenta
e está apoiada em uma metodologia que o prepara e protege
para ingressar no mundo do trabalho, estimulando sua permanência
na escola.
Quais são os diferenciais do Patrulheirismo
em relação a uma série de programas voltados
para evitar o êxodo escolar?
Nossa proposta é garantir o nível de escolarização,
resolvendo a questão emergencial de complementação
da renda familiar, porém indo mais longe, pois mudamos
o referencial de posicionamento social deste jovem através
da convivência proporcionada pela educação
pelo trabalho. O programa conta também com acompanhamento
por pedagogos, psicólogos e assistentes sociais, o que
garante o sucesso da inserção do adolescente na
empresa. O jovem ingressa em um ambiente de trabalho ao qual
normalmente não teria acesso sem participar do Programa
de Patrulheirismo. O programa qualifica o jovem para o ingresso
em uma boa empresa e se responsabiliza pelo seu desempenho.
Além disso, responsabilizamos também as empresas
quanto ao desempenho do jovem através do treinamento
e avaliação das chefias diretas. Nossa metodologia
é comprovadamente bem sucedida : cerca de 30% dos jovens
são contratados através do regime de CLT pelas
empresas após o término do período de estágio.
Este índice é fabuloso se comparado aos índices
de aproveitamento do estágio de terceiro grau, no qual
em média apenas 5% dos estudantes universitários
são contratados logo após o término do
treinamento. A que você atribuiria este sucesso?
Há vários fatores que contribuem para este índice.
Além de ser Presidente da Associação, sou
também funcionário de uma das empresas que adotam
o Programa de Patrulheirismo e posso dar um testemunho bastante
pessoal. Na verdade, quando estes adolescentes percebem o real
valor da oportunidade oferecida pela convivência com outro
grupo social no ambiente de trabalho, eles se empenham muito
em aprender, tornando-se extremamente eficientes. Outro fator
importante é que isso acaba angariando a simpatia dos
outros colegas de trabalho, o que cria uma verdadeira torcida
pelo seu sucesso e permanência na empresa. Tudo isso acaba
fazendo muita diferença na formação do
jovem. Além disso, a mão-de-obra disponível
para cargos de suporte operacional no Brasil é pouco
qualificada. Depois de qualificar o jovem para o trabalho, a
empresa só tem a ganhar oferecendo a ele uma vaga para
o início de uma carreira.
De onde são angariados os recursos
para sustentação das operações das
Unidades de Ensino - CAMP? O projeto é auto-sustentável?
Aceita patrocinadores? Aceita a participação de
voluntários?
Se um CAMP não começa auto-sustentável,
exigindo um investimento inicial de empresas ou de uma ONG para
montar a infra-estrutura necessária às atividades,
a metodologia permite que ele se torne auto-sustentável
em muito pouco tempo. Além da bolsa-auxilio de um salário
mínimo repassada para cada adolescente, o empresário
deposita 25% do salário mínimo como Contribuição
Institucional para o CAMP. Este dinheiro é usado para
remunerar os profissionais envolvidos no treinamento e no acompanhamento
do programa e para cobrir os custos operacionais.
O trabalho voluntário é bem-vindo, mas nem sempre
gera o compromisso necessário à execução
do programa com o grau de excelência desejado. Portanto,
todos os profissionais, desde auxiliares administrativos até
psicólogos e assistentes sociais, são contratados
pela ONG.
Como são escolhidas as comunidades
atendidas pelo programa?
Quais são os critérios de seleção
dos jovens e das empresas?
No passado, a criação de um CAMP acontecia em
função das solicitações realizadas
à FEEM, Fundação Estadual de Educação
do Menor, transformada hoje na FIA, Fundação da
Infância e Adolescência. Alguma empresa solicitava
adolescentes para o estágio e a FIA treinava os adolescentes
e os encaminhava para a organização, administrando
o pagamento da bolsa e a avaliação do programa.
Depois de um tempo, a FIA não teve mais braços
para continuar centralizando este processo e decidiu cadastrar
ONGs para operacionalizar as Unidades de Ensino - CAMP sob sua
supervisão. Hoje, a FIA não tem relação
direta com os CAMP, que são coordenados pelas Associações
Regionais, tendo a APERJ como parceira nesta empreitada.